Sobre o Autor:
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ascer, morrer, renascer mais uma vez e progredir sem cessar". Do momento presente até os últimos suspiros e meu epitáfio, há muito o que aprimorar ainda. As más linhas escritas a seguir é só um breve relato, uma forma coexa de tentar explicar o inexplicável.
Com meus 8 anos de idade eu desconhecia os pesares do luto e o vínculo que eu tinha com a morte era de inocente curiosidade.
-Mamãe, adivinha quem morreu hoje? Eu dizia corriqueiramente com ar de graciosidade.
Com tamanha criatividade e sensibilidade, sempre estive alheio a interesses comuns. Era como se meu raciocínio estivesse além da compreensão ou friamente vivo em uma realidade mordaz.
De estranha habilidade encenava em minhas brincadeiras o desfalecimento do corpo dos meus heróis como o término de um ciclo. Assim como quando contrariado fechava meus olhos, inclinava o rosto ao lado e pousava lentamente o punho ao chão. Almejando conquistar o que eu deseja através de lágrimas.
Até então atitudes curiosas ignoradas pela falta de compreensão, mas que em breve seriam notáveis e despertariam receio e indignação por outros aspectos.
Levado com meu consentimento após muito insistir ao meu primeiro funeral, notei desvanecer a euforia de quando eu fui surpreendido intercalando algodões nas narinas do meu irmão.
Foi aí que finalmente selei, fiel votos permanentes com o pesar profundo da partida. Embora eu não conseguisse desviar por noites seguidas os pensamentos, da urna mortuária sendo lacrada e sepultada em meus sonhos infantis.
Hoje, minhas feições adultas e meu esclarecimento ainda compartilham dos mesmos interesses com o garotinho que um dia fui, e por maior que seja minha autonomia de conhecimento quando questionado a respeito do fim, mergulho em recordações e sensações do dia em que eu degustava um sorvete e deslumbrava com os olhos os bastidores da morte.
-Pelos menos pra mim a morte é doce, contudo é como se eu sentisse o gosto salgado das lágrimas, furtando o leve adocicado sabor frio de meus lábios.
Texto by Paulo Roberto.
Citação by Allan Kardec.
