sábado, 26 de março de 2011

Poemas Póstumos.

Póstumo (Part. I)


Um tiro abrirá
a têmpora do tempo.

Brinco de adivinhar o futuro
na intenção de ser póstumo.

Ouço por trás do muro
o mesmo, e sempre discurso
sobre o que não me convence.

Quem é essa voz
que acolhe agora à distância,
os ouvidos da minha infância?

Passaporte vencido.
Viajo no bagageiro,
convencido da clandestinidade.

Se resolvo revolver a terra
que guarda a semente do que sou,
é porque tenho esperança
de nascer noutro lugar.

Abstrair aprisiona e liberta.
A faca da escrita rasga a barriga
da baleia que me conduz.


Póstumo (Part. II)


Estive em tantas luas
e em tantas lutas para proteger
o universo,
que cansei de olhar estrelas.
O brilho que me cega
vem do que me espelha.

Abnegado, retardei confronto
e agora me defronto com o que sou.
Serei capaz de me dividir
e resultar inteiro?

Guardo do cásulo lembranças do futuro
e agora não sei o que fazer com elas.

Erramos destinos,
somos distintos na sorte.
Cresci feito erva daninha,
no espaço entre o sim e o não.


Póstumo (Part. III)


Indeterminado,
me determino no que ainda não vejo.
Meu desejo de posteridade
precede o nascimento,
pereço do que ainda não sou
e careço de mais um copo de eternidade.

Nos confins de mim,
no musgo escorregadio
em que floresce minha essência.
Mil Napoleões traçam estratégias
de uma guerra sem fim.

Velarei meu cadáver na esperança
de enterrá-lo antes do entardecer.
…e será tarde para descobrir,
que deveria ter morrido cedo.


Póstumo (Part. IV)


Essa leveza pecaminosa,
esse abandonar o corpo,
esse flutuar na alma.

É preciso ser forte
para desvincular culpa
e aceitar a sorte ou a morte.

Se morrer é isso,
várias mortes vivi!


Póstumo (Part. V)


As coisas gritam lá fora,
os carros aceleram... O burburinho
de vozes... A pressa expressa.
Na vida engarrafada
a alma desossada...

Nada além dos motores das máquinas,
nada além da fumaça sobre a cidade.
Perambulamos pelas vielas de concreto
com nossos discretos olhares domesticados.

Apodreceremos em pé
à espera de um novo tempo
que viaja em tardes lentas
montado no cavalo da esperança.


Póstumo (Part. VI)


Esse vazio nos olhos e na alma,
esse esperar de barco atracado no cais.

Essa lentidão tingindo os dias
de um amarelo sem graça
em todos os contornos,
em tudo em torno.

Nada me satisfaz, não há limite
que dê limite o desespero dos meus ais.

Uns vão, outros vem.
E não se ouvem e não se veêm.

Mundo fútil, vida fútil!
Vida fácil
sob o sol dos insensíveis,
patéticos,
espantalhos de lavoura.

Não espantarão a tempestade,
não amenizarão a irá deste céu chumbo,
não serão mais que alegorias
ante a fúria do tempo.


Póstumo (Part. VII)


Quero mais do que posso viver,
quero ir além do que posso ver.

Velai por mim, oh Deus dos insensatos,
cuidai de mim…
Perdoai em mim toda desregrada lúcidez,
perdoai o olhar faminto
com que devoro horizontes, perdoai!

Perdoai, oh Deus dos incautos,
toda impaciência contra a redondice
das coisas que voltam sempre
ao mesmo lugar.

Agasalhai-me, oh Deus dos aflitos,
do frio que faz no pico deste iceberg.
Que o calor das minhas incertezas,
não derreta o chão de gelo sob meus pés.

Que eu não veja no esplendor deste acaso,
o negrume destonante que avança
desmatizando toda paisagem.

Salvai-me, oh Deus,
desta dialética perversa,
que aguça todos os sentidos meus.
Guardai-me, oh Deus da hermética.


Póstumo (Part. VIII)


Distanciado assim de mim,
forasteiro na vida que me suporta.
Postulo a  viver póstumo.

Erijo pois um outro
como negação da negação,
viver é negar a morte.

Esse outro... Esse valente outro,
capaz de suplantar a vida.

E dar-me em vida outra vida.
Levanta-se do porão da existência,
como sol quarando a manhã de um novo dia.


Póstumo (Part. IX)


Todos caminhos conhecem meus passos.
Nada me surpreende nesta vida casta,
já não me abrigam as paredes desta casa.

O que sou agora se não
essa brisa no rosto,
esse gosto de nuvens na boca,
essa voz rouca a ecoar na imensidão.

E quanto mais alto vou
no meu vôo.
No meu desejo de céu,
mais nitidamente me vejo.


Póstumo (Part. X)


Da mais profunda floresta de algas,
vem essa algazarra que agita a superfície.
Sobrevivo a violência da maré
como marisco incrustado na pedra.

Quem de vós socorrereis o corpo dissecado,
a alma exposta na calçada, quem de vós?
Quem de vós ouvireis meu canto?

Vegetaremos
pau e pedra, pó e lixo
nos escombros da vida,
como garrafas pet vazias
flutuando na Guanabára.

Eu e eu,
nós
em
mim
abraçados
numa solidão
sem
f
i
m

.


Póstumo (Part. XI)


Fui aquele que catalisou
o que em outros cristalizou.

Houve em mim um nicho
de intenções subcutâneas.

O que aflorava
palavras/versos
já me devorava há tempos.

Minha fotografia
foi um desenho mutante,
houve sempre o risco
de esquecer o último rosto.

Não me leu,
quem me viu.

Morei dentro
do olho do poema.

Fui tinta
tela e tema.


Autor: Paulo Ednilson



Fonte: Blogspot (Retratos Da Alma)

sábado, 12 de março de 2011

Fantasmas de carne e ossos.

Fantasmas rondam os cemitérios de São Paulo. Têm duas pernas, não gostam de gente nem se identificam com os valores e a memória da sociedade. São egoístas, perdidos na escuridão da ignorância. São pobres de espírito e de tantas virtudes mais. Faltaram-lhes um dia a palmada educativa, a palavra esclarecedora, o amor que liberta. No lugar, ficaram-lhes a fumaça da liberdade ilusória, o pó da quimera do instante, a agonia da embriaguez traficada. Fizeram do sonho um pesadelo. Refugiam-se nos escaninhos da noite para escapar das virtudes emancipadoras do trabalho, dos deveres sociais, da responsabilidade coletiva. Pensam que gostam de si mesmos odiando o que nos expressa a todos, a arte e a história.

Encontraram nos cemitérios o território de sua mísera visão de mundo. Matam os mortos. Depredam túmulos, roubam objetos pelo simples prazer de atacar monumentos indefesos, obras de arte que a todos pertencem, objetos de bronze para derreter nas fundições da delinquência, para o dinheiro fácil do vício e da malandragem.

Em maio de 2008, um grupo de ladrões foi surpreendido e preso, pulando o muro do Cemitério da Quarta Parada, com 78 placas de bronze, que iam vender para um ferro-velho. Ladrões de nomes e de idades. Ladrões da história.

Foi pior no Cemitério da Consolação. O belo anjo de cerâmica, com vestes esmaltadas de branco, asas de alumínio, que Fúlvio Pennachi esculpira para o sepulcro da família de Atílio Matarazzo, onde um dia seria sepultado, foi atacado e despedaçado por vândalos. Tal a mutilação que foi impossível restaurar a obra de arte.

Somos vítimas dessa peculiar modalidade de gatunagem na destruição das obras do espírito.

"Aqui se faz, aqui se paga" Como costumamos dizer. Há alguns anos em uma orgia altas horas da noite em um túmulo do Consolação, o pesado anteparo de granito do túmulo violado onde um infeliz fazia exibições, caiu-lhe sobre as pernas que foram esmagadas. Abandonado pelos "colegas" que fugiram, foi socorrido pelo guarda-noturno e pelos bombeiros. Teve as pernas amputadas e sepultadas em algum cemitério por aí como pernas de um indigente meio morto, meio vivo.

No final de 2010 descobriu-se no Consolação, que a sepultura de Luisa Crema Marzoratti jovem pianista, perto do portão da Rua Mato Grosso, sempre aberto e livre fora depredado mais u
ma vez. Já haviam serrado e levado um pedaço da belíssima escultura de mármore.

Se íntegra, a obra de arte continuaria sendo apreciada por muitos, como o vinha sendo desde 1922.

Agora levaram a placa de bronze que continha delicada gravura de uma ninfa tocando a lira e um poema comovente, placa enviada da Itália pela mãe da artista, uma poetisa da escola decadendista alusivo à alma chopiniana de sua filha musicista. Silenciaram a poesia. Um dia silenciarão todos nós.

Fonte: José de Souza Martins - (O Estado de SP)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Hipogeus nas ilhas do Corvo e Terceira: Monumentos funerários que podem ter mais de dois mil anos.

Os hipogeus são estruturas escavadas em rochas, usadas no Mediterrâneo como sepulturas.

Segundo a Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica, recentemente foram descobertas dezenas dessas estruturas nas ilhas do Corvo e Terceira nos Açores, que poderão ter dois mil anos, o que poderá indicar uma ocupação das ilhas anterior à presença portuguesa.
O presidente da associação Nuno Ribeiro, refere que “No Corvo são dezenas de estruturas que estão à vista, e tudo indica que se tratam de monumentos muito antigos, porque inclusivamente situam-se em áreas onde não houve agricultura.”
Os hipogeus em causa, “ainda não estudados pela arqueologia”, foram encontrados no Corvo e Terceira, durante um passeio em agosto de 2010.
“Este tipo de monumentos tem paralelos no mundo mediterrânico, e nas culturas Grega e Cartaginesa, entre os séculos 9 e 3 a.C., e eram usados como sepulturas comuns na época Romana.” Disse Nuno Ribeiro.
A idade destes hipogeus deverá ser apurada depois de averiguada através de trabalhos arqueológicos que a APIA conta realizar “ainda este ano, com o apoio das autarquias e do Governo regional”.
Fonte: Jornal Sol

Restos mortais revelam práticas funerárias da Era do Gelo.

Arqueólogos descobriram na região central do Alasca, os restos mortais de uma criança cremada há cerca de 11,5 mil anos.
Eles são os resquícios humanos mais antigos já encontrados nas regiões ártica e sub-ártica da América do Norte.
Os fragmentos foram encontrados em um buraco de fogueira de uma antiga habitação, e trazem novas idéias sobre as práticas funerárias dos povos da Era do Gelo.
Embora só tenham sido recuperados cerca de 20% dos restos mortais da criança, sendo impossível determinar o sexo, os pesquisadores descobriram dentes que indicam uma idade de aproximadamente 3 anos.
O buraco oval também parece ter sido usado para cozinhar alimentos, com base em restos de salmão e outros pequenos animais na área.
Depois que a criança morreu, ela foi deitada de costas no poço e cremada. O buraco e a habitação provavelmente não voltaram a ser usados.

"Podemos supor que eles tenham abandonado a casa enquanto a criança era cremada." Disse Bem A.

"Aquela era a camada superior, e nada indica que eles tenham acendido novamente o fogo." Complementou Potter, arqueólogo da Universidade do Alasca e principal autor do estudo.

Não está claro quantas pessoas viviam na habitação, mas considerando-se a idade da criança, provavelmente havia mulheres adultas agindo como tutoras, afirmaram.
Pesquisas anteriores indicaram que os povos da região caçavam animais grandes, mas a nova descoberta sugere que os animais menores também faziam parte da dieta.
Agora, Potter e seus colegas esperam coletar amostras de DNA nos restos mortais da criança e investigar ligações genéticas com outras comunidades, antigas ou atuais.

Fonte: Yahoo Notícias & informações do New York Times

Descoberta arqueológica surpreende e leva pesquisadores repensar a história do Peru.

A descoberta do túmulo de um governante de uma civilização pré-hispânica, abriu novas perspectivas sobre a história do antigo Peru, opinaram especialistas.
Arqueólogos encontraram um complexo funerário formado por nove túmulos pertencentes à cultura Wari, anterior à incaica, e que teve sua época de esplendor entre os anos 600 e 1.200 de nossa era - Uma civilização que se estendeu por grande parte da costa peruana e da região andina -
Entre as tumbas, escavadas na zona de selva do departamento de Cusco - Antiga capital do império incaico - Sobressaem os restos de um personagem de estirpe, adornado de peças de ouro e prata, batizado de o Senhor de Wari.
"É uma impressionante descoberta Wari em plena selva cusquenha, que abre um novo capítulo nas pesquisas arqueológicas, reescrevendo nossa história." Disse Juan García, diretor regional de cultura de Cusco ao fazer o anúncio.

"É um dos mais importantes achados, comparável a Machu Picchu, a fortaleza incaica, e ao Senhor de Sipán." Descoberto no norte peruano em 1987, pertencente à cultura Moche, acrescentou.
O complexo funerário foi encontrado na cidadela arqueológica de Espíritu Pampa na província amazônica de La Convención, distrito de Vilcabamba em Cusco (1.100 km a sudeste de Lima).
Fonte: AFP

Uma morte, diferentes lutos.


“Se ela me deixou, a dor
é minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó...
Eu tenho a minha dor,
a dor é minha.
A dor é de quem tem.”

Composição: Marisa Monte / Arnaldo Antunes



Todo ser humano esta inserido desde o nascimento, em uma rede de relacionamentos que muitas vezes é interrompido por um episódio de morte. Além de quebrar fortes vínculos de afeto, a morte deixa um saldo de muitas outras perdas na vida de quem fica.
Estudos comprovam que uma pessoa que morre deixa no mínimo quatro pessoas em situação de luto. Embora sofrendo a perda da mesma pessoa, observamos que as reações de cada familiar são diferentes entre si. Este fato costuma gerar situações de muita angústia nas famílias.
Na maioria das culturas o choro é uma das formas mais comuns de expressão da dor e do sofrimento. Mas, e quem não chora? Significa que não esta sofrendo?
O senso comum defende a idéia de quem chora esta sentindo a dor da perda com intensidade, logo parece que quem não age desta forma não esta sentindo a tristeza.
Esta afirmação, além de não ser verdadeira gera muita culpa naqueles que não conseguem expôr seu pesar pela morte de uma pessoa querida de uma forma visível.

-Os canais de expressão nem sempre são iguais entre os membros da família.

Por razões particulares ligadas muitas vezes à história de vida e a traços de personalidade, as pessoas tem jeitos diferentes de expôr seus sentimentos. Algumas pessoas demonstram alegria, tristeza, preocupação de forma muito clara. Outras são discretas nessas manifestações mas mesmo assim conseguem dar vazão à elas. Há aquelas que tem verdadeira dificuldade em demonstrar o que realmente estão sentindo. Isto não quer dizer, absolutamente que não estejam sentindo.
A demonstração da dor não dimensiona necessariamente o tamanho dela. Mas é muito comum que no luto familiar, surjam comentários:
-"Será que ele (a) não esta sentindo nada?"
-"Parece que nem sentiu a morte da mamãe, porque nunca o vi chorando."
-"Não quis ir ao cemitério, não deve ter consideração por quem perdeu."
Para a vida psicológica e conseqüentemente para que o trabalho do luto aconteça é importante que cada pessoa encontre sua forma de dar vazão a dor da perda e que não será semelhante a do outro familiar. Se para alguns, ir no cemitério é uma forma de encontrar algum alívio e viver a saudade de quem partiu, para outros esta visita pode tornar-se altamente estressante, tensa e de pouco alívio. O núcleo familiar deve ter espaço para que cada membro demonstre sua dor do jeito que pode, do jeito que lhe pareça melhor.  

-O que faz as pessoas sentirem a perda de forma tão diferente?

A psicologia tem se ocupado do estudo das diferenças individuais em vários campos, incluindo o luto. Sabe-se que mesmo gêmeos idênticos tem personalidades completamente diferentes, porque cada ser humano é único em seu jeito de ser, de pensar, de agir e de sentir.
Assim também há muitos fatores que determinam a forma como cada pessoa reagirá a perda de alguém amado, como a história de vida, a infância, outras perdas que já teve, sua capacidade de vincular-se, a relação que tinha com quem perdeu, a idade, o sexo, a cultura dentre outras variáveis.
Sendo assim podemos dizer que uma mesma perda, produz diferentes processos de luto em uma família.

-As diferenças de idade e de gênero.

A forma como as crianças manifestam seu pesar é diferente da forma como um idoso o faz. A época da vida em que perdemos uma pessoa pode ser um fator importante na forma como vamos viver esta perda. Os adolescentes, por exemplo, vivem uma fase da vida em que a onipotência é uma característica marcante - "Posso viver perigosamente porque nada vai acontecer comigo" - e o processo de luto deles pode ser altamente influenciado por esta onipotência, sendo comum que eles tenham atitudes de negação diante da dor da perda de alguém querido.
Em geral os homens e as mulheres têm formas diferentes de ser, especialmente porque nossa cultura impõe valores rígidos ao homem quanto a sua expressão afetiva. O famoso "homem não chora" é ouvido por eles desde a infância e pode colaborar para um processo doloroso de contenção das emoções. Assim, as mulheres parecem ter mais "autorização social" para manifestar suas emoções, ao passo que aos homens cabe o papel de restaurador da família. Ele rapidamente tem que voltar para a vida como se nada tivesse acontecido.
Pela nossa experiência clínica com enlutados, percebemos que esses padrões pregados pela cultura podem ser fortes complicadores para aqueles que não se ajustam ao esperado.
Portanto é importante em momentos de perda, que a família compreenda as diferentes manifestações do luto para que isso não produza mais sofrimento.
Somos únicos porque nossa história é única e por isso temos um jeito único de dizer o que sentimos.
     
"Cada um de nós compõe a sua história."  - Almir Sater

Fonte: Centro Maiêutica de Psicologia Aplicada e Serviços em Saúde

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cemitérios famosos: Beleza perpétua & brilhantismo arquitetônico. (1ª parte)

A palavra cemitério deriva do latim Coemeterium , que significa "pôr a jazer" ou "fazer deitar" e foi empregada pelos primeiros cristãos para designar os terrenos destinados ao sepultamento dos mortos.



Os cemitérios ficavam geralmente longe das igrejas, fora dos muros das cidades. A partir do século XVII começou a existir o problema da falta de espaço para enterrar os mortos e em muitos lugares foram criados cemitérios afastados dos centros urbanos.


Em muitas cidades existem cemitérios em que os ritos funerários são cumpridos de acordo com a religião. Há também cemitérios para o sepultamento de chefes militares e figuras públicas.
O estilo arquitetônico das tumbas e as personalidades que estão enterradas em um cemitério fazem com que muitas vezes ele se torne ponto turístico. Conheça alguns dos cemitérios mais famosos do mundo.
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Cemitério Acatólico de Roma:
Localizado na capital italiana, o Cemitério Acatólico de Roma é o destino final de não-católicos. Há pessoas de várias religiões enterradas, de budistas a muçulmanos. Entre as personalidades que lá jazem estão o poeta John Keats e o cientista político Antonio Gramsci.
Fotos: Leandro Demori

(O Cemitério Acatólico de Roma também é conhecido como Cemitério dos Ingleses ou Cemitério Protestante. Fica em um dos mais romanos bairros da capital italiana, o Testaccio.)

(O cemitério foi fundado pelo crescente número de estrangeiros, sobretudo do norte da Europa, que se mudaram para Roma durante o período romântico.)

(O cemitério foi fundado em 1738 e está localizado perto da Porta São Paulo, em Roma.)

(Foi construído nas adjacências da Pirâmide da Caius Cestius, uma pirâmide em estilo egípcio em pequena escala construída em 30 a.C., onde está enterrado um magistrado romano morto no primeiro século depois de Cristo.)

(Como o próprio nome indica, o cemitério é o destino final de não-católicos. Há pessoas de várias religiões enterradas, de budistas a muçulmanos.)

(Muitos mortos nas duas guerras mundiais também foram sepultados no local, sobretudo americanos que lutaram na Itália em 1943.)

(Esta sepultura é de um estudante da cidade de Oxford, Inglaterra. Chamado Langton.)

(Nesta foto pode ser vista a lápide do poeta inglês John Keats, que morreu em Roma em 23 de fevereiro de 1821.)

(O poeta John Keats morreu em Roma, onde havia ido por recomendações médicas para tratar a tuberculose.)

(Nesta foto pode ser vista a lápide do cientista político italiano Antonio Gramsci, que faleceu em Roma em 27 de abril de 1937, aos 46 anos.)

(Uma das lápides mais famosas é a de Emelyn Story, que foi mulher do escultor americano William Wetmore Story. Sua lápide foi feita pelo marido que após sua morte, também foi enterrado no local.)

(Muitos gatos vivem entre as tumbas do Cemitério Acatólico de Roma.)

(Os gatos que vivem no cemitério são alimentados e cuidados por uma associação de voluntários que se reúne no local todos os sábados.)

(A placa mostra a indicação para a tumba do poeta inglês John Keats e para a pirâmide de Caius Cestius. Sob o monumento foi enterrado um magistrado romano que mandou construir o mausoléu para sua morte no primeiro século depois de Cristo.)

(O cemitério Acatólico também abriga as cinzas de Percy Shelley, poeta inglês morto por afogamento na Toscana. Apenas seu coração foi salvo de ser cremado. Ele foi guardado pela viúva, Mary Shelley, autora do romance Frankenstein e posteriormente enterrado com ela na Inglaterra.)
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Cemitério Alter Johannisfriedhof:
Localizado em Leipzig na Alemanha, o cemitério Alter Johannisfriedhof é um memorial e centro histórico a céu aberto.
Fotos: Julia Dócolas

(O cemitério Alter Johannisfriedhof fica no centro-oeste de Leipzig, cidade independente localizada no Estado da Saxônia, na Alemanha.)

(O cemitério Alter Johannisfriedhof é mais do que um local de homenagens e reflexão, um centro histórico a céu aberto.)

(Desde 1484, o cemitério Alter Johannisfriedhof recebe os restos mortais de cidadãos de Leipzig.)

(Até 1834, 257 mil pessoas foram enterradas em seu recinto. Desde 1536 o cemitério Alter Johannisfriedhof tornou-se público.)

(No começo do século XX, o terreno do cemitério deixou de abrigar novos jazigos e o Alter Johannisfriedhof recebeu o título de memorial.)

(Ao caminhar pelos seus arredores, é possível observar nos túmulos as diferentes correntes artísticas desenvolvidas ao passar dos séculos, além dos epitáfios e epigramas com influência barroca.)

(Após várias mudanças e reformas, o cemitério teve seu espaço reduzido e hoje possui cerca de 400 tumbas. Também serve de museu e parque nos fundos do complexo Grassi Museum.)

(No cemitério Alter Johannisfriedhof, foram enterradas várias personalidades da história de Leipzig.)

(Algumas das personalidades locais que estão enterradas no cemitério são Johanna Rosina Wagner e Johanna Rosalie Marbach, mãe e irmã do maestro e compositor Richard Wagner, e Anna Katharina Kanne, amiga de Goethe no período em que ele estudou em Leipzig.)

(O músico e compositor Johann Sebastian Bach também esteve enterrado no cemitério até 1950, quando seus restos mortais foram transportados para a igreja Thomaskirsche, no centro de Leipzig.)

(O inverno, a neve e as árvores secas dão um ar sombrio ao cemitério, que possui coloridos edifícios de apartamentos como vizinhos.)

(O contraste e a coexistência entre o antigo e o novo não é uma característica restrita ao Alter Johannisfriedhof e seus arredores, mas algo presente em toda Alemanha, que atualmente serve de referência artística e cultural para a Europa e o resto do mundo.)
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Cemitério Bunhill Fields:
O cemitério Bunhill Fields está localizado no meio do centro financeiro de Londres. Muito mais do que um cemitério, Bunhill Fields é considerado pelos londrinos como um parque e atrai desde casais até ciclistas e corredores.
Fotos: Ulisses Neto

(O cemitério Bunhill Fields está localizado no meio do centro financeiro de Londres, no bairro de Islington, no norte da cidade.)

(Fechado para enterros desde 1855, o cemitério Bunhill Fields tem restos mortais de 120 mil pessoas.)

(Centenas de não-conformistas ingleses foram enterrados no cemitério Bunhill Fields. Entre eles está o escritor Daniel Defoe, autor do clássico Robinson Crusoe. Morto em 21 de Abril de 1731.)

(Também está enterrado no cemitério Bunhill Fields o pintor e poeta inglês William Blake, falecido em 12 de agosto de 1827.)

(A maior parte das lápides do cemitério, que possui cerca de 4 hectares de extensão, está apagada devido à ação do tempo.)

(O cemitério Bunhill Fields é ponto de encontro de casais, que são atraídos pelas impressionantes árvores e monumentos.)

(O cemitério também atrai funcionários das centenas companhias do mercado financeiro vizinhas ao cemitério para um passeio ou intervalo.)

(Bastante arborizado, o cemitério Bunhill Fields também é procurado por ciclistas e corredores.)

(Muito mais do que um cemitério, Bunhill Fields é considerado pelos londrinos como um parque.)
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Cemitério Complexo-Museu Mevlâna:
O principal santuário, cemitério, mausoléu e área de estudos de Konya, cidade localizada na parte asiática da Turquia, fica no Complexo-Museu Mevlâna, conhecido por seu impressionante domo turquesa em formato de cone.
Fotos: Solly Boussidan

(Konya é uma das cidades mais sagradas da Anatólia Central, na parte asiática da Turquia. Com mais de 1 milhão de habitantes, a cidade foi dominada pelos Seleucidas no início do século XI e incorporada ao Império Otomano.)

(Konya é o berço da seita islâmica Sufi-Mevlâna. O principal santuário, cemitério, mausoléu e área de estudos fica no Complexo-Museu Mevlâna, conhecido por seu impressionante domo turquesa em formato de cone.)

(O complexo começou a ser construído em 1231, quando o pai de Jalal ad-Din Muhammad Rumi, o fundador da seita sufista, foi enterrado na área doada pelo sultão Ala ad-Din Kayqubad, em seu jardim de rosas. Além do cemitério e mausoléu, o complexo também abrigava o tekke, a área onde os dervixes viviam e estudavam, além de uma mesquita.)

(Rumi é considerado o fundador do ramo Mevlâna sufista do Islã. Os principais estudiosos e religiosos da seita são conhecidos como dervixes e são famosos pelo ritual de êxtase religioso no qual rodopiam incessantemente. Apesar do propósito religioso, o ritual tornou-se atração turística na Turquia.)

(Os dervixes são monges maometanos ascetas, que passam boa parte da vida pedindo caridade e doações para interiorizarem o princípio da humildade. Tudo o que recebem deve ser doado para os mais pobres.)

(Os jardins do Complexo Mevlâna em Konya, contém os túmulos dos discípulos de Rumi.)

(As lápides com um chapéu simples em seu topo indicam que o túmulo pertence a um dervixe. Já as lápides com um turbante em cima denotam um descendente direto de Rumi ou da linhagem do profeta islâmico, Maomé.)

(Alguns dos principais religiosos possuem túmulos separados em pequenos mausoléus espalhados ao redor do complexo.)

(Rumi está enterrado dentro da câmara principal, ao lado de seu pai.)

(Seus primeiros discípulos também estão enterrados na área principal do complexo, ao lado do túmulo de Rumi e seu pai.)

Fonte: Site Terra