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É com sincera satisfação que venho por meio desta publicação divulgar a experiência descritiva de uma colega que compartilha dos mesmos interesses que o meu.
Se não bastasse o texto disponibilizado e a disciplina característica de cada estrofe que o torna ainda mais interessante, as imagens contidas na edição são de posse e arquivo pessoal, que vão além de figuras ilustrativas e servem como um elo entre o leitor e a autora de sua criação.
Aos que até esta página chegaram, fica minha gratidão e o desejo de uma boa leitura por meio desta divulgação.
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Por Andréia de Souza Martins
Mestranda em Antropologia pela UFPB
Jornalista - DRT 2998/PB
Fotos: Andréia S. Martins / Edições: Paulo Roberto
Fotos: Andréia S. Martins / Edições: Paulo Roberto
Ao contrário daqueles que o admiram por abrigar pessoas famosas, eu soube do cemitério Père-Lachaise por maneiras pouco convencionais: descobri que é o primeiro cemitério a oferecer um passeio virtual indicando, num mapa, onde estão esses túmulos, oferecendo a visualização de fotos e uma breve biografia do falecido. Eu já pesquisava sobre a morte na internet desde 2008 e redigi a monografia para conclusão do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo (pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB) em 2009. Falei sobre o caso Eloá e a espetacularização da morte na televisão e na internet, através da comunidade Perfil de Gente Morta, no Orkut. Após a conclusão do trabalho (disponível aqui), continuei a pesquisar e encontrei os velórios virtuais. Deles para o passeio virtual no Père-Lachaise foi um pulo. Ou melhor, um clique.
Então, em junho/julho de 2010, tive a oportunidade de visitar a Europa pela primeira vez. Passei seis dias na França e, desde a organização dos passeios, fiz questão de colocar o Père-Lachaise na rota. Quem anda com estudiosos da morte inevitavelmente vai fazer uma excursão destas.
No dia anterior ao combinado para a visita, estivemos na Conciergerie, antiga prisão francesa que abrigou Maria Antonieta antes de sua execução (e que protege seu túmulo até hoje). Lá, encontrei um livro maravilhoso da jornalista Anne-Marie Minvielle, "Guide des curiosités funéraires à Paris – Cimetières, églises et lieux de mémoire" (Guia das curiosidades funerárias de Paris – Cemitérios, igrejas e lugares de memória). Este guia me foi de extrema ajuda quando chegamos ao Père-Lachaise que, embora tenha um mapa (comprado por 1€, no portão), não se aprofunda muito na história dos seus moradores.
Entramos pelo portão da Praça Auguste Métivier, saindo da estação de metrô com o mesmo nome do cemitério, que possui 43,2 hectares e foi criado em 1804.
Atualmente, possui 97 divisões, com partes israelitas e muçulmanas, além do crematório e do columbário, onde são guardadas as cinzas. É o espaço mais arborizado de Paris, com mais de 5 mil árvores. Estima-se que lá estejam enterrados mais de um milhão de pessoas.
Sua inauguração foi uma jogada de marketing: para chamar a atenção dos possíveis proprietários, os restos mortais de La Fontaine & Molière e Abelard & Heloïse (professor e aluna que se envolveram num romance proibido durante a Idade Média. A história está no filme "Em Nome De Deus") foram transferidos para lá.
Entrada principal ao Père-Lachaise.
Corredores arborizados abrem caminho entre os mausoléus.
Túmulos de La Fontaine & Molière.
Mausoléu de Abelard & Heloïse.
Munidos do mapa, marcamos quais os túmulos que queríamos ver e fomos andando. É grande o número de visitantes, mas não o suficiente para deixar o local cheio. De fato, estivemos completamente sozinhos por boa parte da caminhada. Às vezes, eu me sentia estranhamente observada, mas sempre com uma sensação boa. Não tive medo, mas me senti estranha algumas vezes. Tive uma das melhores sensações ao contemplar o pequeno espaço intitulado "Jardin Du Souvenir" (Jardim Da Lembrança), extremamente simples e de mensagem tão tocante.
Foi emocionante ver de perto os túmulos de grandes ídolos meus, como Edith Piaf, Jim Morrison, Oscar Wilde, Amedeo Modigliani, Georges Bizet, Frédéric Chopin, Allan Kardec e outros.
Dos que eu não conhecia, fiquei impressionada com os do jornalista Victor Noir (que o retrata caído no chão, no momento em que foi baleado, em 1870), François Raspail (prisioneiro durante a 3ª república francesa, tem a escultura de sua viúva o aguardando do lado de fora) e Georges Rodenbach (que está saindo de seu túmulo com uma flor na mão).
Visão ampla do Jardin Du Souvenir.
Introspecção junto ao Jardin Du Souvenir.
Túmulo de Edith Piaf.
Túmulo de Jim Morrison.
Mausoléu de Oscar Wilde.
Túmulo de Amedeo Modigliani.
Túmulo de Georges Bizet.
Túmulo de Frédéric Chopin.
Túmulo de Allan Kardec.
Sepultura de Victor Noir.
Sepultura de François Raspail.
Sepultura de Georges Rodenbach.
São muitas as homenagens aos mortos na segunda guerra mundial. O constante pedido para que não nos esqueçamos do que se passou reforça a idéia de respeito à memória e à história, coisa que me tocou bastante.
Uma das muitas inscrições que podem ser lidas e apreciadas na necrópole.
A atmosfera do lugar é de calma e serenidade. Infelizmente, é grande demais para ser visitado uma única vez, e tínhamos que ir para o Museu do Louvre. Mas, é claro, continuarei a visitá-lo quando for novamente à Paris, assim como os outros cemitérios da cidade e as catacumbas, que não tive tempo de conhecer. A gente pode respirar e tocar a história nestes lugares, além de refletir sobre a morte e nossa própria finitude.
Confira a seguir mais algumas imagens que bem representam a experiência lúgubre de Paris:
Confira a seguir mais algumas imagens que bem representam a experiência lúgubre de Paris:
Imagem que bem representa os sentimentos de uma Carpideira.
Sepultura de Honoré De Balzac.
Mausoléu de Gioachino Rossini.
Túmulo de Eugène Delacroix.
Túmulo de Pierre Bourdieu.
Túmulo de Henri Salvador.
Túmulo de Marcel Proust.
Local reservado á Comuna francesa.
Visão geral das catacumbas.
Deterioração.
Fonte: Andréia de Souza Martins
Contatos: (83) 3221-3014 / (83) 3222-5030 / (83) 9104-4140
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Resenha de mesma autoria e parceria de Andréia S. Martins.
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